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«Cabo Verde» - Qual Fenix renascida....

>> sexta-feira, novembro 02, 2007


Praia Sta Maria, Sal, Cabo Verde



A Fénix, o mais belo de todos os animais lendários, simbolizava a esperança e a continuidade da vida após a morte.

Revestida de penas vermelhas e douradas, as cores do Sol nascente, possuía uma voz melodiosa que se tornava triste quando a morte se aproximava. A impressão que a sua beleza e tristeza causava em outros animais, chegava a provocar a morte deles.

Segundo a lenda, apenas uma Fénix podia viver de cada vez. Quando a ave sentia a morte aproximar-se, construía uma pira de ramos de ervas aromáticas, em cujas chamas se lançava, morrendo queimada. Mas das cinzas erguia-se então uma nova Fénix, que colocava piedosamente os restos da sua progenitora num ovo de mirra e voava com eles à cidade egípcia de Heliópolis , onde os colocava no Altar do Sol. Dizia-se que estas cinzas tinham o poder de ressuscitar um morto.

Assim será este blog, não ressuscitará qualquer morto, mas apenas a sim próprio.... terá o poder de renascer ideias, lugares, olhares...

Até já...estou a acordar!!!

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«Cabo Verde» - Cavaleiro

>> domingo, junho 17, 2007


Sal, Cabo Verde


Mariza - Cavaleiro Monge


"
Do vale à montanha
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra
Cavaleiro monge
Por casas, por prados
Por quinta e por fonte
Caminhais aliados

Do vale à montanha
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra
Cavaleiro monge
Por penhascos pretos
Atrás e defronte
Caminhais secretos

Do vale à montanha
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra
Cavaleiro monge
Por prados desertos
Sem ter horizontes
Caminhais libertos

Do vale à montanha
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra
Cavaleiro monge
Por ínvios caminhos
Por rios sem ponte
Caminhais sozinhos

Do vale à montanha
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra
Cavaleiro monge
Por quanto é sem fim
Sem ninguém que o conte
Caminhais em mim. "

de Fernando Pessoa

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«Cabo Verde» - o sal da lingua

>> quinta-feira, junho 07, 2007


Salinas da Pedra do Lume, Sal, Cabo Verde


Twin Peaks - Falling (OST)


O lugar da casa

"
Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia."

Eugénio de Andrade, O Sal da Língua

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«Cabo Verde» - é urgente

>> terça-feira, junho 05, 2007


Palmeira,Sal,Cabo Verde


Toad the Wet Sprocket - Walk on the ocean


"
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer."


Urgentemente, Eugénio de Andrade

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«Cabo Verde» - Mãe Negra

>> domingo, maio 27, 2007


Santa Maria,Sal,Cabo Verde


Ladysmith Black Mambazo & Paul Simon - Homeless


PRELÚDIO

"
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada.. "

de Alda Lara

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«Cabo Verde» - na praia

>> terça-feira, maio 15, 2007


Sal, Cabo Verde


GNR - Dunas


Está a chegar o Verão e já estou com umas saudades da praia....

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«Cabo Verde» - Desaparecido

>> quarta-feira, maio 09, 2007


Espargos, Sal,Cabo Verde


Bebel Gilberto - Mais Feliz


Tenho andado à minha procura....!!!
Se alguém me encontrar por aí, por favor apite...
Obrigado

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«Cabo Verde» - Solidão

>> quinta-feira, maio 03, 2007


Monte Grande, Sal,Cabo Verde


Madeleine Peyroux - You're Gonna Make Me Lonesome When You Go


Voltei. Felizmente recuperei o disco.

Volto ainda com o resto das fotos de Cabo Verde e algumas palavras que foram ficando retidas nestes tempos de ausência.

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Quem pode medir a solidão de um ser humano quando ela só consiste em saudades...?." (Heinz Konsalik)

Medir a solidão. Como medir a solidão?

Qual a unidade de medida mais apropriada? Em tempo: minutos, dias e anos? Ou em numero de amigos esquecidos, nomes e caras perdidas na memória? Ou nos olhares não trocados e nos mimos não recebidos? Ou nos familiares que já não vemos, que já foram, ou que não foram mas não estão? Ou nas cartas que não chegam ou no numero de vezes que o telefone não toca?

Ou simplesmente no esquecimento de como se pode medir a solidão?

Seremos apenas indigentes de alma e sem-abrigos de afectos, quando a solidão que sentimos nos passa despercebida, porque simplesmente nos esquecemos como a podemos medir.

A partir de amanhã comecem a medir a vossa solidão e colocá-la em dieta rigorosa. Primeiro passo: pegar numa agenda velha e fazer um telefonema àquele amigo de que afinal temos tantas saudades mas já não nos lembrávamos.

E porque afinal de contas o importante não é saber como a medir, mas sim, relembrar como se faz...

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«Cabo Verde» - Pai

>> sexta-feira, fevereiro 23, 2007


Santa Maria,Sal,Cabo Verde


Cat Stevens - Father and son


Dedicado àquele que me ensinou a ser gente...Parabéns Pai !!!

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Cabo Verde - Viagem

>> sexta-feira, fevereiro 16, 2007


Sal,Cabo Verde


Jamie Cullum - All at Sea


Viagem

"
Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
( Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura.
O que importa é partir, não é chegar."

Miguel Torga

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«Cabo Verde» - Felicidade na idade dos porquês!!

>> segunda-feira, fevereiro 05, 2007


Sal,Cabo Verde


Mayra Andrade - Felicidade


Na idade dos porquês

"
Professor diz-me porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?

Professor diz-me porquê?
Por que roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
E roda gira rodopia
e cai morto no chão...

Tenho nove anos professor
e há tanto mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Por que é que o céu é azul?
Por que é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!

Tu falas falas professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.

É a luta professor
a luta em vez de amor.

Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.

Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.

Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!...

E quando tu depois vens definir
o que são conjunções
e preposições...
quando me fazes repetir
que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas
tanta mais definições...
o meu coração
o meu coração que não sei como é feito
nem quero saber
cresce
cresce dentro do peito
a querer saltar cá para fora
professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias
mais belos os dias."

Alice Gomes (1946)

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«Cabo Verde» - Menino

>> quarta-feira, janeiro 31, 2007


Sal,Cabo Verde


Zeca Afonso - Menino d'Oiro


"Menino franzino,
Quase pequenino,
Pequenino, triste,
Neste mundo só...,

Menino, desiste
De que tenham dó!

Desiste, menino,
Que o mundo é cretino...
Deixa o teu violino,
Toca o sol-e-dó.

Cada teu suspiro
Cai ao chão no pó...
Canta o tiro-liro
Tiro-liro-ló.

Deixa o teu violino,
Que não te é destino.
Desiste, menino,
De que tenham dó!

Menino franzino,
Triste e pequenino,
Pequenino, triste,
Neste mundo só...,

Menino, desiste!
Toca o sol-e-dó.
Canta o tiro-liro, repipiro-piro,
Canta o repipiro, tiro-liro-ló."

José Régio

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«Cabo Verde» - Ausência

>> sexta-feira, janeiro 26, 2007


Pedra do Lume,Sal,Cabo Verde


Cesaria Evora & Goran Bregovic - Ausência


"
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
"

de Sophia de Mello Breyner Andresen

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«Cabo Verde» - Solidão

>> domingo, janeiro 21, 2007


Sal,Cabo Verde


Cesaria Evora - Crepuscular Solidão


Enquanto não me vem a inspiração para deixar aqui uma palavrinhas, vou deixando estas maravilhosas letras das músicas da Cesária, que mesmo não se sabendo crioulo, dá para entender a alma grande de Cabo Verde...

"
Crepuscular Solidao
(Teofilo Chantre)

Vento di mar
Traze'me um cretcheu
Ness detardinha
Di ceu nublado

Um tchuva d'amor
Pode faze flori
Um coracao
Quemode di paixao

Na patamar
Dum vida singela
'm contempla
Dona felicidade

Nem um olhar
'm encontra
Num multidao
Tao solitaria

Ja tem gente
Gente ate demas
Qu'tita sofre
Na solidao

Ja tem gente
Qu'ta quase ta morre
Na luz cadente
Dum crepusculo"

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«Cabo Verde» - Pequeno País

>> quinta-feira, janeiro 18, 2007


Sal,Cabo Verde


Cesaria Evora - Petit Pays


"
La na cêu bô ê um estrela
Ki catá brilha
Li na mar bô ê um areia
Ki catá moiá

Espaiote nesse munde fora
Sô rotcha e mar
Terra pobre chei di amor
Tem morna tem coladera
Terra sabe chei di amor
Tem batuco tem funaná

Oi tonte sodade
Sodade sodade
Oi tonte sodade
Sodade sem fim

Espaiote nesse munde fora
Sô rotcha e mar
Terra pobre chei di amor
Tem morna tem coladera
Terra pobre chei di amor
Tem batuco tem funaná

Petit pays je t'aime beaucoup
Petit petit je l'aime beaucoup"

Só rocha e mar, terra pobre cheia de amor, tem morna, tem coladera, tem batuco, tem funaná...
e tem catchupa, tem percebes, tem sol, tem risos, tem crioulo e tem muita sodade...

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«Cabo Verde» - Saudade

>> domingo, janeiro 14, 2007


Sal,Cabo Verde


Cesaria Evora - Sodade


Voltei!!! Muitas saudades? (pergunta de retórica a quem eventualmente ainda passe por aqui) :-)

Pois é... as saudades fizeram-me voltar ao blog !! Este fim de ano e algumas mudanças: de ano, de computador, de vida,... deixaram este local abandonado por instantes.

Irei fazer aqui uma muito breve viagem por Cabo Verde, mais propriamente pela ilha do Sal, esse pedaço de lua caído no Atlântico onde a chuva e a água são os bens mais preciosos, habitada por seres de sorriso fácil e com musica na alma...

Sodade!!
Trazême só um cartinha pá ká pesá na bô mala!

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SOBRE ESTE BLOG


JÁ FUI as minhas viagens escritas com luz natural em Itália, New York, Tunisia, Cuba, Paris, Turquia, Londres, Cabo Verde, Holanda... AGORA APENAS SOU.

ESTÃO NESTE MOMENTO A OLHAR AS LUZES

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